domingo, 17 de julho de 2011

Lição do carro

Estava indo pra minha aula de aikidô. Encontrei uma vaga perto da academia e fui fazer minha aula. Quando retornei, bastante satisfeito com a aula e calmo, encontrei um carro em fila dupla, trancando minha saída. Imaginei, então, que a pessoa estava por perto e viria quando me aproximasse. Continuava sereno. Coloquei meu kimono sobre o carro, comecei a olhar para todos os lados e não consegui avistar alguém que pudesse ser o dono do carro. Os julgamentos começavam a se multiplicar em minha cabeça. Imaginei que se tratava de uma mulher, descuidada, que não se importava com quem estacionou ali. "Putaquilparil!! Não acredito!!! Tô preso e vou ter que ficar aqui, esperando essa pessoa @#$%&* aparecer!!! Que folgad@!!!! Nisso, um pensamento veio à minha mente: o que eu faria se estivesse no lugar dessa pessoa? De imediato, algo que tinha acabado de fazer, antes de ir pra aula, me veio à cabeça: e se o carro estiver solto? Era uma subida e eu tinha dificuldade em aceitar que alguém tivesse deixado o carro solto naquelas condições. Para minha surpresa, ao empurrar o carro com uma das mãos, ele se mexeu. Delicadamente e devagar, com medo que ele descesse demais, o empurrei um pouco pra trás e pude sair. Eu havia criado um muro atrás do meu carro, com meus pensamentos. Ao mudar meu olhar sobre ele, pude perceber o que antes pensei tratar-se de um muro, como um portão que deslizou suavemente ao menor toque de minhas mãos. E que me convidava a lidar com a vulnerabilidade do outro, desconhecido, que deixou seu carro solto em minhas mãos!!! Muito tocado com a lição que acabara de aprender, manobrei meu carro para fora da vaga e comecei a me dirigir para casa, me sentindo leve e radiante.